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15 dezembro, 2018

A morte


Antigamente sabia-se (ou talvez se pressentisse) que se trazia a morte dentro de si, como o fruto o caroço. As crianças tinham dentro uma pequena e os adultos uma grande. As mulheres tinham-na no seio e os homens no peito. Tinha-se, a morte, e isto dava às pessoas uma dignidade particular e um calmo orgulho.

Rainer Maria Rilke, Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (trad. Paulo Quintela)


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Vivian Maier, Auto-retrato, 1954



02 outubro, 2016

O Interior das Rosas

Onde há para este interior
um exterior? Sobre que dor
se põe este linho?
Que céus se espelham
no seio do lago
destas rosas abertas
descuidadas? Olha:
como jazem soltas no solto, 
como se não pudesse
mão tremente desfolhá-las.
Mal se podem suster
a si próprias; muitas deixaram-se
encher demais, e transbordam
de espaço interior
para os dias, que cada vez
mais plenos se fecham,
até que todo o verão se faz
uma sala, uma sala num sonho.


Rainer Maria Rilke, Poemas  (trad. Paulo Quintela)

16 abril, 2016

working upon you

So you must not be frightened … if a sadness rises up before you larger than any you have ever seen; if a restiveness, like light and cloud-shadows, passes over your hands and over all you do. You must think that something is happening with you, that life has not forgotten you, that it holds you in its hand; it will not let you fall. Why do you want to shut out of your life any agitation, any pain, any melancholy, since you really do not know what these states are working upon you?



Rainer Maria Rilke


Alexander McQueen

05 dezembro, 2015

Tu as été le lieu sûr auquel mon regard est resté fixé.

Rainer Maria Rilke, carta a Lou Andreas Salomé

04 dezembro, 2015

(No dia em que se completam 140 anos sobre o nascimento de Rainer Maria Rilke)




















Como reconhecer ainda
o que foi o áureo da vida?
Talvez contemplando, na palma 
da mão, os arabescos

dessas linhas, dessas rugas
que apertamos com tanta garra
quando no vazio fechamos
a própria mão sobre um nada.

Rainer Maria Rilke, Frutos e Apontamentos (trad. Maria Gabriela Llansol)


03 dezembro, 2015

Rilke

Por vezes os amantes, ou aqueles que escrevem,
encontram palavras que, mesmo que se desvaneçam, 
deixam no coração um lugar feliz -    
e um rasto de pensamento para sempre...

Porque, sob o que se passa, nascem
constâncias invisíveis;
sem que abram qualquer trilho,
algumas tornam-se estribilhos de dança.


Rainer Maria Rilke, Frutos e Apontamentos (trad. Maria Gabriela Llansol) 


com a candura de um operário celeste

Não te movas se, de repente,
o Anjo se senta, à tua mesa;
alisa, com vagar, os breves vincos
que a toalha faz, debaixo do teu pão.

Convida-o para a modesta refeição,
que também ele lhe saboreie o gosto,
e possa levar aos lábios impolutos
um pobre copo de uso quotidiano.

Olha em redor, cheio de atenção serena,
com a candura de um operário celeste.
Come como se deve, imitando-te os gestos,
para - como convém - , te construir a casa.


Rainer Maria Rilke, Frutos e Apontamentos (trad. Maria Gabriela Llansol) 


13 fevereiro, 2015

O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe.



Rainer Maria Rilke, Cartas a Um Jovem Poeta

12 dezembro, 2014

Dir-se-ia que ela [a música] é uma forma superior do ar.

Rainer Maria Rilke, Apaixonadamente (correspondência com Magda von Hattingberg)

24 junho, 2014

I
Estamos mesmo no princípio, percebes? Como que antes de tudo.
Com mil e um sonhos para trás de nós e parados.

II
Não consigo imaginar um saber mais sagrado do que este:
O homem deve tornar-se um principiante.
O que escreve a primeira palavra de uma tirada secular.

Rainer Maria Rilke, Notas Sobre A Melodia das Coisas

24 janeiro, 2007

Recordo ainda nitidamente uma ocasião, outrora, em minha casa, quando encontrei um estojo de jóias; tinha dois palmos de tamanho, era em forma de leque, com um rebordo de flores decalcadas sobre o marroquim verde-escuro. Abri-o: estava vazio. Posso dizê-lo agora, passado tanto tempo. Mas, na altura em que o abri, vi apenas em que consistia esse vazio: em veludo, numa pequena elevação de veludo claro, já gasto; no encaixe da jóia que nele se perdia, vazio, num pequeno rasto de melancolia mais claro. Por um instante era possível suportá-lo. Mas talvez seja sempre assim para aqueles que foram amados e ficaram para trás.

Rainer Maria Rilke, "As Anotações de Malte Laurids Brigge"