DOR
Esta manhã acordei cedo e da cama
olhei bem para o lado do Estreito e vi
um pequeno barco deslocando-se através das águas agitadas,
com uma simples luz fugidia. Lembrei-me
de um amigo que costumava gritar
o nome da sua mulher morta das colinas
perto de Perugia. Que colocava um prato
para ela na sua simples mesa muito depois
da sua morte. E abria as janelas
para que ela pudesse apanhar ar fresco. Eu achava embaraçosa
tal demonstração. Tal como os seus outros
amigos. Não conseguia perceber.
Até esta manhã.
Trad. Cristina Tavares e José Pinto de Sá.
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